Sentindo-se ameaçados por Trump, muçulmanos e judeus dos EUA se dão as mãos

A vitória eleitoral de Donald Trump provocou uma enxurrada de islamofobia e antissemitismo, mas também levou a uma nova aliança surpreendente. Os muçulmanos e judeus americanos estão se unindo, mobilizados por uma onda de crimes de ódio contra ambos os grupos e pelas ameaças de Trump de proibir a entrada de muçulmanos no país, assim como registrar aqueles que vivem aqui.
Por ora, eles estão deixando de lado suas divisões a respeito de Israel para juntar forças para resistir ao que quer que venha a seguir. Novos grupos estão sendo formados e coalizões inter-religiosas que já existiam dizem que o interesse está crescendo. Os grupos estão visando não apenas o clero, mas também leigos, incluindo empresários, estudantes e mulheres. Com frequência, a meta inicial é simplesmente superar os estereótipos e serem reconhecidos como igualmente americanos.
Até a eleição de Trump, Firdaus, que tem 56 anos e é uma gerente de manufatura da Exxon Mobil, sentia-se segura vivendo como muçulmana nos Estados Unidos. Ela tem uma filha que é médica e um filho que é engenheiro, e recentemente viajou para Tampa, Flórida, com seu marido, à procura de uma casa de férias para comprar. Mas a vitória de Trump abalou seu senso de conforto e segurança.
Após se juntar às bênçãos ao chalá assado em casa e ao suco de uva espumante (em vez de vinho, em consideração aos muçulmanos), Firdaus conversou com quatro mulheres judias que nunca tinha conhecido antes, equilibrando pratos de comida indiana em seus colos. Elas descobriram que a onda de crimes de ódio e a conversa de mau agouro de Trump e de seus conselheiros sobre um registro de muçulmanos e campos de concentração fizeram todas pensarem na Alemanha nos anos que antecederam o Holocausto.
De Estadão


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