Planalto isola ex-aliados de Cunha na briga pela Câmara

Embora o presidente Michel Temer diga oficialmente que o governo se mantém neutro na disputa pelo comando da Câmara dos Deputados, seus auxiliares com melhor trânsito partidário atuam para esvaziar as candidaturas vinculadas ao Centrão e descartam apoiar os nomes do bloco informal que se apresentaram até o momento.

O Palácio do Planalto não pretende dar aval aos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Jovair Arantes (PTB-GO) - ex-aliados do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - mesmo se a candidatura do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), for barrada no Supremo Tribunal Federal.

A avaliação é de que o deputado do Distrito Federal se lançou por sua conta e risco. Em conversas reservadas, auxiliares do presidente consideram que ele pode desistir do páreoO outro nome do Centrão, Jovair Arantes, é visto como "imprevisível" e encontra resistência em partidos do bloco como PR e PP, que negociam mais espaço no governo em eventual reforma ministerial.

O Planalto está convencido de que Maia será reeleito, apesar das pendências jurídicas que pesam sobre sua candidatura. Também avalia que os nomes apresentados até agora pelo Centrão não têm condições de fazer frente ao parlamentar do DEM.

Debate

Nesta terça-feira (3), e Jovair propuseram a realização de debate entre os postulantes ao comando da Casa. O objetivo é forçar o Maia a assumir publicamente sua candidatura. "O povo brasileiro precisa conhecer quem são os candidatos e quem o Parlamento, com toda a soberania que tem, vai escolher", disse Rosso, que protocolou ofício pedindo que a TV Câmara realize um encontro entre deputados que disputam o cargo.

Temer pretende fazer uma reforma ministerial enxuta, mas já indicou que poderá usar a Esplanada para acomodar aliados "feridos" após a eleição que renovará o comando da Câmara e do Senado. Se depender do presidente, as mudanças somente serão feitas depois que o ministro do STF Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte, homologar as delações de executivos e ex-diretores da Odebrecht, provavelmente em meados de fevereiro ou março.

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